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tudo o que você queria saber sobre a arte você não vai encontrar aqui.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Anão com o livro de todos os pensamentos do mundo.

ele se preparava para pensar,não se incomodava muito mas eu disse:-você é um anão telepata,que tipo de telepatia oculta sua face?ele disse quase só pensando:-penso que você não sabe o que acontece quando eu leio a mente das pessoas?tudo que elas pensam,eu sei de tão logo instante que percebo que não sou mais eu,perco um pouco o percurso para descobrir a trilha exata do meu ego.é como tentar subir à superfície onde se está nadando profundamente mas que se ficar boiando pode pegar um resfriado ou um tubarão....ponderei e disse:sabe aquela mulher que quase perdeu o hímen comigo?será que ela o recuperou?pensa nela também?olhou com um leve sorriso no rosto e quase como se uma dor de cabeça pudesse nos separar em castas de homem e meio telepata e canibalizar energias cerebrais numa lobotomia de retórica de politico corrupto,diz ou disse,o tempo parou:-não fui eu que pensava o tempo todo na possibilidade dela ser alguma coisa como uma hermafrodita para apenas desaparecer como uma perda de memória....esquece,ele não pode nunca esquecer..disse ou talvez só tenha pensado em voz alta.....

Circulo Quadrado da Bailarina

o picadeiro estava vazio.ninguém entrava,ninguém saia.ela estava lá agachada ou caída percorrendo suas pequenas mãos,retorcendo e contorcendo o tornozelo em alguma careta de dor,nunca sabia que eu estava ali,vendo ela fazer seu rodopio matinal sempre rodando e percebendo as pequenas curvas que seu pé dava ao lançar um pouco mais inclinado a cabeça para a direita e esquerda.sua geometria particular impedia que cometesse algum paradoxo matemático e só girava.não me via ali concentrada no seu corpo fantasma e tão invocado como qualquer maldição que seu figado que também dói,regenera.realmente,ela nunca me via ali,quase chorando de rir quando ela erra um rodopio e quase cai no chão,ela,compreensivamente,desmascara o véu de sua cumplicidade com os joelhos desarticulados e corrompidos por anos de esforço e dedicação a mim,que ela nunca percebeu que eu olhava para ela.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Circo dos Horrores da Alegria

Respeitável Público!

éramos palhaços sem dor, uma versão piorada do conceito de circo das honestidades pagãs.realmente precisávamos ser palhaços para compreender que aquela situação não poderia continuar.amando o circo e tudo mais com seus trapezistas alados e anões telepatas.o apresentador pode reapresentar finalmente a vida para os seus famintos espectadores de tv desligada.eles estavam ali para ver tudo que ele proporcionaria,todos os seus medos dentro da goela do leão que não atravessa a rua sem piscar duas vezes o sinal,a vertigem do malabarista que se equilibra com salário mínimo de mendigo,o mágico e suas ofensas libidinosas e assédio sexual no trabalho.é sempre uma vida que se acaba quando terminamos de escrever uma palavra,pensava.personagem das sombras que fala baixinho mas que não lê as entrelinhas da palma da mão,horóscopo acabado de uma linha torta da vida.sorria, estão vendo você,pensa;palhaço de todas as horas que martelam dentro do escritório fastigado pelo calor do ventilador quebrado.não pinta mais mas mesmo assim sabe que é palhaço para apenas excomungar uma reza brava.sua mulher também bailarina tem na tristeza do parto onde se esconder enquanto seu filho não vem,ama seu enjôo matinal, não poupa milagres que acontecem toda vez que destrói uma semente de esperança naquela conta atrasada no fim do mês.longe se depara um vôo do sol no seu circulo perfeito das explosões lunares,continua palhaço,pois o circo ainda não acabou na saliva histórica de cadernos tão cheios de palavras de instantes bibliotecários e confusão ortográfica.ouve-se um tiro, saiu de dentro da culatra de um sonho, não o atingiu,ficou ali parado,cético por que hoje não tinha mau humor para morrer assim,preferiu apenas descansar e ver se daqui a alguns milhares de anos alguém ainda poderia chamá-lo de palhaço,só palhaço.

sábado, 21 de março de 2009

curtas 1 o teatro nosso de cada dia

o teatro também é efêmero e imaterial: a arte teatral só se realiza no encontro de uma certa localidade espaço/temporal,no aqui e agora do palco/plateia.não há registro possível só memória.
a performance é aquilo que acontece no sujeito,o registro é aquilo que é sujeito a acontecer.a performance é uma concatenação, o registro é um continuum.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

a arte hoje é como o papel moeda ela tem uma forma física mas o seu valor é
determinado por um lastro "econômico",ou seja virtual
se todos os bancos quebrarem o seu dinheiro se torna um pedaço de papel inútil,a arte opera num mesmo modo
não importa o que o artista produza porque ele pode fazer qualquer coisa ou ação
que vira arte,
mas sim quem vai dizer o que é e o que não e arte
hoje em dia é o curador, ele é quem tem essa função
(pode-se incluir toda a malha burocrática em torna dele, instituições,universidades,museus,
livros de arte e seus
respectivos atores).
a arte não serve para aumentar nossa auto-estima ou elevar nossos espíritos para a contemplação do belo a arte hoje não opera assim porque isso é só um amontoado
de teorias estéticas do passado que não explicam o fenômeno artístico do presente
a arte pode servir para
qualquer finalidade mas essas finalidades acima são secundárias,
mesmo resultado você teria conversando com amigos,se apaixonando ou tendo um filho.


o problema que confundem materialidade técnica com a verdadeira concepção
de duchamp que é:

a arte hoje em dia perdeu sua especificidade tanto técnica como simbólica,
o lugar do artista e até mesmo sua função está
condicionada a fatores alienados
de seu próprio fazer artístico
ou seja o artista faz arte hoje simplesmente... porque não espirrar?
ganhar dinheiro exibindo luzes som e fúria numa exposição onde amanhã todo mundo já esqueceu o que viu e parte de novo para ver uma sala vazia cheia de nenhuma intenção
artística,onde o curador é que diz o que é ou não é arte? o ready made é a presença
inequívoca
de que a arte se confundiu com o mundo e sua separação
é impossível;longe de reafirmar a morte da arte creio que um novo pensar
deve seguir adiante sem
passar nos mesmos clichês que vigoram ainda
nos nossos empoeirados museus e universidades.(sendo a morte da arte também um clichê)

a arte não morreu porque ela é um conceito criado pelos único animal que cria conceitos
e que virou uma instituição como a igreja com sua ladainha de catálogos
que não tem nada de "lógos" e seus credos de que
o artista tem que ser
alienado de criticar essa instituição.
o artista só serve para (rês)produzir nossas
modas de verão ou a
última tendência de cor da estação, qualquer padrão aleatório
ditado por um punhado de estilistas de magreza
que não percebem que o mundo é redondo porque gira infinitamente em torno do seu próprio eixo e não de seus egos.
assim a arte acumula todas as coisas através de uma coleção estilo pokemon
onde todos os participantes tem seus respectivos
animais para a competição e quem ganha e aquele que derrotar o maior números deles para finalmente ganhar o prêmio de mestre supremo pokemon (que eu não faço a menor idéia para que serve!).

todo o radicalismo de duchamp vem do fato que toda as teorias sobre arte no passado não dão
conta de explicar a arte atual: ele simplesmente nomeia qualquer objeto com qualquer teoria,qualquer conceito e diz que tudo pode virar arte, que cada pessoa pode fazer sua
própria escolha a partir de seus próprios interesses e se tornar também um artista.
hoje a arte é especulativa (todos especulam sobre uma arte que não tem existências
teórica só formal ) e virtual
(artistas criam espaços internet onde destroem
a figura do intermediário das arte:antes foram a igreja,reis, mecenas,comerciantes,
grandes corporações e hoje é uma
distribuição descentralizada e sem direitos autorais
onde a especulação contraditoriamente não existe) é simulacro:
(ela simula sua própria referência é como um espelho olhando outro espelho
nada se parece com nada e
tudo parece que já foi dito ouvido e visto
ele é como a bolsa de valores especulativa se alguém acha que a arte é de uma forma
todos
acabam indo para um mesmo lado através de ondas de especulação
chamado "moda''o mercado
é guiado pelo sentimento de que um determinado artista
possa ser bem cotado num leilão de suas obras e onde ele consagrado pode fazer o que quiser que todos aplaudirão. hoje em dia a moda é causar polêmica para atingir um publico que
adora os big brother, pessoas fabricadas autenticamente nas câmeras que captam
a vida real simulada num ambiente
controlado pela audiência.A audiência parece ser
o único termômetro capaz de autenticar uma obra (audiência é colocada aqui num sentido
mais amplo
; é uma especie de marcador que possibilita o curador saber se tal obra é ou não válida,ela funciona assim quanto maior o preço da obra melhor ela é validada e ao mesmo tempo se utiliza velhos conceitos para validar um artista como currículo e conhecimento da mídia. o sistema como um todo adora utilizar de contradições para validar seus artistas e suas obras:
ao mesmo tempo que utilizam a história da arte
para realçar determinados aspectos das obras. eles dizem que o artista fez uma ruptura com velhos cânones, flerta com o novo já sabendo que ele nasce ultrapassado. a arte hoje em dia é atemporal porque não podemos ter nenhuma referência do passado para explicá-la seu presente é seguido
continuamente de um silêncio
barulhento provocado por bolhas especulativas
de bienais e seu futuro nunca existirá pois ele já chegou e todo mundo já esqueceu

como diria o obcínico:o artista faz tudo improvisado mas ensaia bastante.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Três Macacos a espera de um Aluno

"Há algum tempo recebi um convite de um colega professor para servir de árbitro na revisão de uma prova de física que recebera nota zero . O aluno dizia merecer nota máxima. O professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido .

Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova: Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro .

A reposta do estudante foi a seguinte : "Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele ; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; esse comprimento será igual à altura do edifício".

Sem dúvida a resposta satisfazia o enunciado, e por instantes vacilei quanto ao veredicto .

Recompondo-me rapidamente , disse ao estudante que ele tinha respondido à questão, mas sua resposta não comprovava conhecimentos de física, que era o objeto da prova. Sugeri então que ele fizesse outra tentativa de responder a questão . Meu colega concordou prontamente e, para minha surpresa, o aluno também.

Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, demonstrando algum conhecimento de física .

Passados cinco minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o teto da sala .

Perguntei-lhe então se desejava desistir , pois eu tinha um compromisso logo em seguida. Mas o estudante anunciou que não havia desistido , e estava apenas escolhendo uma entre as várias respostas que concebera .

De fato, um minuto depois ele me entregou esta resposta: ‘Vá ao alto do edifício , incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo T de queda, desde a largada até o toque com o solo . Depois, empregando a fórmula h=(1/2)gt2 , calcule a altura do edifício‘ .

Nesse momento , sugeri ao meu colega que entregasse os pontos e , embora contrafeito , ele deu uma nota quase máxima ao aluno.

Quando ia saindo da sala , lembrei-me de que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Não resisti a curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

Ele disse : Ah! sim , há muitas maneiras de achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro . Por exemplo: num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício . Depois , usando-se uma simples regra-de-três , determina-se a altura do edifício . Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto , é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas, tem-se a altura do edifício em unidades barométricas. Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balança-lo como um pêndulo , o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, obtêm-se duas acelerações diferentes , e a altura do edifício pode ser calculada com base nessa diferença. Se não for cobrada uma solução física para o problema, existem muitas outras respostas . A minha preferida é bater à porta do zelador do edifício e dizer: ‘Caro zelador , se o senhor me disser a altura desse edifício , eu lhe darei esse barômetro.‘

A essa altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta ‘esperada ‘ para o problema Ele admitiu que sabia , mas estava farto das tentativas do colégio e dos professores de dizer como ele deveria pensar."