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segunda-feira, 6 de abril de 2009
Respeitável Público!
éramos palhaços sem dor, uma versão piorada do conceito de circo das honestidades pagãs.realmente precisávamos ser palhaços para compreender que aquela situação não poderia continuar.amando o circo e tudo mais com seus trapezistas alados e anões telepatas.o apresentador pode reapresentar finalmente a vida para os seus famintos espectadores de tv desligada.eles estavam ali para ver tudo que ele proporcionaria,todos os seus medos dentro da goela do leão que não atravessa a rua sem piscar duas vezes o sinal,a vertigem do malabarista que se equilibra com salário mínimo de mendigo,o mágico e suas ofensas libidinosas e assédio sexual no trabalho.é sempre uma vida que se acaba quando terminamos de escrever uma palavra,pensava.personagem das sombras que fala baixinho mas que não lê as entrelinhas da palma da mão,horóscopo acabado de uma linha torta da vida.sorria, estão vendo você,pensa;palhaço de todas as horas que martelam dentro do escritório fastigado pelo calor do ventilador quebrado.não pinta mais mas mesmo assim sabe que é palhaço para apenas excomungar uma reza brava.sua mulher também bailarina tem na tristeza do parto onde se esconder enquanto seu filho não vem,ama seu enjôo matinal, não poupa milagres que acontecem toda vez que destrói uma semente de esperança naquela conta atrasada no fim do mês.longe se depara um vôo do sol no seu circulo perfeito das explosões lunares,continua palhaço,pois o circo ainda não acabou na saliva histórica de cadernos tão cheios de palavras de instantes bibliotecários e confusão ortográfica.ouve-se um tiro, saiu de dentro da culatra de um sonho, não o atingiu,ficou ali parado,cético por que hoje não tinha mau humor para morrer assim,preferiu apenas descansar e ver se daqui a alguns milhares de anos alguém ainda poderia chamá-lo de palhaço,só palhaço.
sábado, 21 de março de 2009
curtas 1 o teatro nosso de cada dia
o teatro também é efêmero e imaterial: a arte teatral só se realiza no encontro de uma certa localidade espaço/temporal,no aqui e agora do palco/plateia.não há registro possível só memória.
a performance é aquilo que acontece no sujeito,o registro é aquilo que é sujeito a acontecer.a performance é uma concatenação, o registro é um continuum.
a performance é aquilo que acontece no sujeito,o registro é aquilo que é sujeito a acontecer.a performance é uma concatenação, o registro é um continuum.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
a arte hoje é como o papel moeda ela tem uma forma física mas o seu valor édeterminado por um lastro "econômico",ou seja virtual se todos os bancos quebrarem o seu dinheiro se torna um pedaço de papel inútil,a arte opera num mesmo modo
não importa o que o artista produza porque ele pode fazer qualquer coisa ou ação
que vira arte,mas sim quem vai dizer o que é e o que não e arte
hoje em dia é o curador, ele é quem tem essa função
(pode-se incluir toda a malha burocrática em torna dele, instituições,universidades,museus,
livros de arte e seus respectivos atores).
a arte não serve para aumentar nossa auto-estima ou elevar nossos espíritos para a contemplação do belo a arte hoje não opera assim porque isso é só um amontoado
de teorias estéticas do passado que não explicam o fenômeno artístico do presente
a arte pode servir para qualquer finalidade mas essas finalidades acima são secundárias,
mesmo resultado você teria conversando com amigos,se apaixonando ou tendo um filho.
o problema que confundem materialidade técnica com a verdadeira concepção
de duchamp que é:
a arte hoje em dia perdeu sua especificidade tanto técnica como simbólica,
o lugar do artista e até mesmo sua função está condicionada a fatores alienados
de seu próprio fazer artístico ou seja o artista faz arte hoje simplesmente... porque não espirrar?
ganhar dinheiro exibindo luzes som e fúria numa exposição onde amanhã todo mundo já esqueceu o que viu e parte de novo para ver uma sala vazia cheia de nenhuma intenção
artística,onde o curador é que diz o que é ou não é arte? o ready made é a presença
inequívoca de que a arte se confundiu com o mundo e sua separação
é impossível;longe de reafirmar a morte da arte creio que um novo pensar
deve seguir adiante sem passar nos mesmos clichês que vigoram ainda
nos nossos empoeirados museus e universidades.(sendo a morte da arte também um clichê)
a arte não morreu porque ela é um conceito criado pelos único animal que cria conceitos
e que virou uma instituição como a igreja com sua ladainha de catálogos
que não tem nada de "lógos" e seus credos de que o artista tem que ser
alienado de criticar essa instituição.o artista só serve para (rês)produzir nossas
modas de verão ou a última tendência de cor da estação, qualquer padrão aleatório
ditado por um punhado de estilistas de magreza que não percebem que o mundo é redondo porque gira infinitamente em torno do seu próprio eixo e não de seus egos.
assim a arte acumula todas as coisas através de uma coleção estilo pokemon
onde todos os participantes tem seus respectivos animais para a competição e quem ganha e aquele que derrotar o maior números deles para finalmente ganhar o prêmio de mestre supremo pokemon (que eu não faço a menor idéia para que serve!).
todo o radicalismo de duchamp vem do fato que toda as teorias sobre arte no passado não dão
conta de explicar a arte atual: ele simplesmente nomeia qualquer objeto com qualquer teoria,qualquer conceito e diz que tudo pode virar arte, que cada pessoa pode fazer sua
própria escolha a partir de seus próprios interesses e se tornar também um artista.
hoje a arte é especulativa (todos especulam sobre uma arte que não tem existências
teórica só formal ) e virtual (artistas criam espaços internet onde destroem
a figura do intermediário das arte:antes foram a igreja,reis, mecenas,comerciantes,
grandes corporações e hoje é uma distribuição descentralizada e sem direitos autorais
onde a especulação contraditoriamente não existe) é simulacro:
(ela simula sua própria referência é como um espelho olhando outro espelho
nada se parece com nada e tudo parece que já foi dito ouvido e visto
ele é como a bolsa de valores especulativa se alguém acha que a arte é de uma forma
todos acabam indo para um mesmo lado através de ondas de especulação
chamado "moda''o mercado é guiado pelo sentimento de que um determinado artista
possa ser bem cotado num leilão de suas obras e onde ele consagrado pode fazer o que quiser que todos aplaudirão. hoje em dia a moda é causar polêmica para atingir um publico que
adora os big brother, pessoas fabricadas autenticamente nas câmeras que captam
a vida real simulada num ambiente controlado pela audiência.A audiência parece ser
o único termômetro capaz de autenticar uma obra (audiência é colocada aqui num sentido
mais amplo; é uma especie de marcador que possibilita o curador saber se tal obra é ou não válida,ela funciona assim quanto maior o preço da obra melhor ela é validada e ao mesmo tempo se utiliza velhos conceitos para validar um artista como currículo e conhecimento da mídia. o sistema como um todo adora utilizar de contradições para validar seus artistas e suas obras:
ao mesmo tempo que utilizam a história da arte para realçar determinados aspectos das obras. eles dizem que o artista fez uma ruptura com velhos cânones, flerta com o novo já sabendo que ele nasce ultrapassado. a arte hoje em dia é atemporal porque não podemos ter nenhuma referência do passado para explicá-la seu presente é seguido
continuamente de um silêncio barulhento provocado por bolhas especulativas
de bienais e seu futuro nunca existirá pois ele já chegou e todo mundo já esqueceu
como diria o obcínico:o artista faz tudo improvisado mas ensaia bastante.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Três Macacos a espera de um Aluno
"Há algum tempo recebi um convite de um colega professor para servir de árbitro na revisão de uma prova de física que recebera nota zero . O aluno dizia merecer nota máxima. O professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido .Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova: Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro .
A reposta do estudante foi a seguinte : "Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele ; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; esse comprimento será igual à altura do edifício".
Sem dúvida a resposta satisfazia o enunciado, e por instantes vacilei quanto ao veredicto .
Recompondo-me rapidamente , disse ao estudante que ele tinha respondido à questão, mas sua resposta não comprovava conhecimentos de física, que era o objeto da prova. Sugeri então que ele fizesse outra tentativa de responder a questão . Meu colega concordou prontamente e, para minha surpresa, o aluno também.
Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, demonstrando algum conhecimento de física .
Passados cinco minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o teto da sala .
Perguntei-lhe então se desejava desistir , pois eu tinha um compromisso logo em seguida. Mas o estudante anunciou que não havia desistido , e estava apenas escolhendo uma entre as várias respostas que concebera .
De fato, um minuto depois ele me entregou esta resposta: ‘Vá ao alto do edifício , incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo T de queda, desde a largada até o toque com o solo . Depois, empregando a fórmula h=(1/2)gt2 , calcule a altura do edifício‘ .
Nesse momento , sugeri ao meu colega que entregasse os pontos e , embora contrafeito , ele deu uma nota quase máxima ao aluno.
Quando ia saindo da sala , lembrei-me de que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Não resisti a curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.
Ele disse : Ah! sim , há muitas maneiras de achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro . Por exemplo: num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício . Depois , usando-se uma simples regra-de-três , determina-se a altura do edifício . Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto , é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas, tem-se a altura do edifício em unidades barométricas. Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balança-lo como um pêndulo , o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, obtêm-se duas acelerações diferentes , e a altura do edifício pode ser calculada com base nessa diferença. Se não for cobrada uma solução física para o problema, existem muitas outras respostas . A minha preferida é bater à porta do zelador do edifício e dizer: ‘Caro zelador , se o senhor me disser a altura desse edifício , eu lhe darei esse barômetro.‘
A essa altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta ‘esperada ‘ para o problema Ele admitiu que sabia , mas estava farto das tentativas do colégio e dos professores de dizer como ele deveria pensar."
domingo, 15 de junho de 2008
Quando Marvin Chorou...

...Naquela mesma tarde, o paciente do quarto 13 da Clínica Lauzon, Eckart Müller, pegou um fiacre até a estação ferroviária e, de lá, viajou para o sul, sozinho, para a Itália, para o calor do sol, o ar calmo e um encontro, um honesto encontro, com um profeta persa chamado Zaratustra.
NOTA DO AUTOR
Friedrich Nietzsche e Josef Breuer nunca se conheceram. E, é claro, a psicoterapia não foi inventada como resultado do encontro deles. Não obstante, a situação da vida da maioria dos personagens baseia-se em fatos, e os componentes essenciais deste romance - a angustia mental de Breuer,o desespero de Nietzsche, Arma O.,Lou Salomé, o relacionamento de Freud com Breuer, que foi o embrião da psicoterapia - existiam historicamente em 1882.
Friedrich Nietzsche fora apresentado por Paul Rée à jovem Lou Salomé na primavera de 1828 e, nos meses seguintes, tivera um breve, Intenso e casto caso amoroso com ela. Ela seguiria uma notável carreira como brilhante literata e psicanalista e também seria conhecida pela amizade última com Freud e por suas ligações românticas, especialmente com o poeta alemão Rainer Maria Rflke.
O relacionamento de Nietzsche com Lou Salomé, complicado pela presença de Paul Rée e sabotado pela irmã de Nietzsche,Elisabeth, terminou desastrosamente para ele; durante anos, o filósofo esteve angustiado com seu amor perdido e com sua crença de que fora traído. Durante os últimos meses de 1882 - aqueles em que se passa a história deste livro -, Nietzsche estava profundamente deprimido, até com impulsos suicidas. Suas cartas desesperadoras para Lou Salomé, partes das quais estão citadas no decorrer deste livro, são autênticas, embora haja incerteza sobre quais foram meramente rascunhos e quais foram realmente remetidas. A carta de Wagner para Nietzsche citada no Capítulo l também é autêntica.
O tratamento médico ministrado por Josef Breuer a Bertha Pappenheim, conhecida como Anna O., ocupou grande parte da atenção dele em 1882. Em novembro daquele ano, começou a discutir o caso com seu jovem protegido e amigo, Sigmund Freud, o qual, conforme descreve este romance, visitava com freqüência a casa de Breuer. Uma década depois, o caso de Anna O. seria o primeiro descrito em Estudos sobre a histeria de Freud e Breuer, o livro que desencadeou a revolução psicanalítica.Bertha Pappenheim foi, assim como Lou Salomé, uma mulher notável. Anos após seu tratamento com Breuer, distinguiu-se tanto numa carreira de assistente que foi postumamente homenageada em um selo comemorativo da Alemanha Ocidental de 1954. Sua Identidade como Anna O. era desconhecida do público até que Ernest Jones a revelou em sua biografia de 1953 “Vida e obra de Sigmund Freud”.Teria o Josef Breuer histórico sido obcecado pelo desejo erótico por Bertha Pappenheim? Pouco se sabe da vida íntima de Breuer, mas os estudos pertinentes não eliminam essa possibilidade. Relatos históricos conflitantes concordam apenas com o fato de que o tratamento de Bertha Pappenheim com Breuer evocou sentimentos complexos e poderosos em ambas as partes.Breuer se preocupava tanto com sua jovem paciente e despendia tanto tempo visitando- a, que sua esposa Mathilde ficou ressentida e enciumada. Freud mencionou explicitamente ao seu biógrafo Ernest Jones o envolvimento emocional excessivo de Breuer com sua jovem paciente e, em uma carta escrita na época para sua noiva Martha Bernays, tranqüilizou-a de que nada do gênero jamais aconteceria com ele. O psicanalista George Pollock aventou que a forte resposta de Breuer a Bertha pode ter radicado no fato de ele ter perdido a mãe, também chamada Bertha, numa idade prematura.
O relato da dramática gravidez ilusória de Anna O. e o pânico e a interrupção precipitada da terapia por parte de Breuer há muito tempo fazem parte do saber psicanalítico. Freud descreveu o incidente pela primeira vez em uma carta de 1932 ao romancista austríaco Steían Zweig, e Ernest Jones o repetiu em sua biografia de Freud. Apenas recentemente o relato foi questionado e a biografia de Breuer por Adbrecht Hirschmuller em 1990 sugere que todo o incidente foi um mito forjado por Freud. O próprio Breuer jamais esclareceu esse ponto e, no histórico do caso publicado em 1895, aumentou a confusão em tomo do caso de Anna O. ao exagerar excessiva e inexplicavelmente a eficácia de seu tratamento.
É notável, considerando-se a grande influência de Breuer no desenvolvimento da psicoterapia, que ele tenha voltado a atenção para a psicologia por apenas um breve segmento de sua carreira. A medicina recorda melhor Josef Breuer não apenas como um importante pesquisador da fisiologia da respiração e do equilíbrio, mas também como um brilhante diagnostícador que foi médico de toda uma geração de grandes figuras da Viena do fin de siècle.
Nietzsche sofreu de problemas de saúde em grande parte de sua vida. Embora em 1890 sofresse um colapso e resvalasse irrevogavelmente na grave demência de paralisia (uma forma de sífilis terciária, de que morreu em 1900), o consenso é que, na maior parte de sua vida anterior, sofrerá de outra doença. É provável que Nietzsche (cujo quadro clínico retratei baseado no vivido esboço biográfico de Stefan Zweig de 1939) sofresse de grave enxaqueca. Devido a essa doença, Nietzsche consultou muitos médicos por toda a Europa e poderia facilmente ter sido persuadido a se consultar com o eminente Josef Breuer.Não teria sido típico da personalidade de uma Lou Salomé preocupar-se em pedir a Breuer para ajudar Nietzsche. Segundo seus biógrafos, não era uma mulher significativamente oprimida pela culpa, e sabe-se que terminou vários casos amorosos aparentemente sem grande remorso. Geralmente, ela preservava sua privacidade e, pelo que pude apurar, não mencionou publicamente seu relacionamento pessoal com Nietzsche. Suas cartas para ele não sobreviveram. Provavelmente foram destruídas por Elisabeth, a irmã de Nietzsche, que lutou a vida toda contra Lou Salomé. Esta tinha realmente um irmão, Jenia, que estudava medicina em Viena em 1882. Entretanto, é altamente improvável que Breuer tivesse apresentado o caso de Anna O. em uma conferência para estudantes naquele ano. A carta de Nietzsche (no final do Capítulo 12) a Peter Gast, um amigo e editor, e a carta de Elisabeth Nietzsche (no final do Capítulo 7) a Nietzsche são fictícias, como o são a Clínica Lauzon e os personagens Fischmann e Max, este, cunhado de Breuer. (Breuer era, entretanto,um aficionado enxadrista.) Todos os sonhos relatados são fictícios, exceto dois de Nietzsche: os de seu pai levantando da tumba e do estertor da morte do ancião.
Em 1882, a psicoterapia ainda não nascera e Nietzsche, é claro, jamais voltou formalmente sua atenção em direção dela.Contudo, em minhas leituras de Nietzsche, constato que ele estava profunda e significativamente preocupado com a autocompreensão e a mudança pessoal. Para manter a coerência cronológica, confinei minhas citações às obras de Nietzsche anteriores a 1882, sobretudo Humano, demasiado humano, Meditações inoportunas, Aurora e A gaia ciência. No entanto, presumi também que os grandes pensamentos de Assim falou Zaratustra, em grande parte escritos poucos meses depois da época do encerramento deste livro, já estavam percorrendo a mente de Nietzsche.
IRVIN D. YALOM, professor de psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Stanford,é autor dos clássicos compêndios The theory and practice of gmup psychotherapy Existential psychotherapy e Inpattent group psychotherapy e co-autor de Every daygets a little closere Encounter groups: First facts- todos publicados pela Basic Books. Seu livro mais recente foi Love's executioner and other tales of psychotherapy (Basic Books,1990).
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Deus Salve a Rainha de Paus!
Eu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a américa há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos.O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros.
Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das Índias Ocidentais que entre os anos de 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos da minha terra!... Teria sido um saque? Não acredito. Seria pensar que os irmãos cristãos faltaram a seu sétimo mandamento.
Genocídio?... Não. Eu jamais pensaria que os europeus, como caim, matam e negam o sangue de seu irmão.
Espoliação?... Seria o mesmo que dizer que o capitalismo deslanchou graças à inundação da Europa pelos metais preciosos arrancados de minha terra!
Vamos considerar que esse ouro e essa prata foram o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos à Europa. Achar que não foi isso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que me daria o direito de exigir a devolução dos metais e a cobrar indenização por danos e perdas.
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus.
Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, nos perguntamos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhes adiantamos.
Lamentamos dizer que não.
Vocês dilapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN.
Vocês foram incapazes de acabar com o capital e deixar de depender das matérias primas e da energia barata que arrancam do terceiro mundo.
Esse quadro deplorável corrobora a afirmação de Milton Friedmann, segundo o qual uma economia não pode depender de subsídios.
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros.
É para seu próprio bem.
Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros que vocês impõem ao terceiro mundo.
Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento sobre 500 anos.
Lamento dizer, mas a dívida européia para conosco, índios, pesa mais que o planeta terra!... E vejam que calculamos isso em ouro e prata. Não consideramos o sangue derramado de nossos ancestrais!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo.
Nas há sempre uma saída: entreguem-nos a Europa inteira, como primeira prestação de sua dívida histórica.
Sobre o(a) autor(a):
Fala do cacique Guaicaipuro Cautémoc numa reunião com chefes de estado da Comunidade Européia. e vovô viu a vulva...
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